15/10/2008 11:01:41
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Por 22 anos, ela varreu o chão, tirou pó e serviu cafezinho para os vereadores da Câmara Municipal de Espumoso. A partir de 1º de janeiro, Maria Helena Valinhos, 42 anos, terá nova função na Casa.
Com 554 votos conquistados na última eleição, a faxineira se elegeu vereadora e irá ocupar uma das nove cadeiras do plenário no município da região norte do Estado.
Usando o slogan “Maria Helena – vote com o coração”, ela foi a quinta candidata mais votada. Foi sua estréia na vida política, pelo PDT. Até o fim do ano, ela continuará a rotina de espanador, rodo, vassoura e balde. Depois, aí sim, passará a empunhar o microfone na bancada para os discursos como parlamentar.
Contrariando uma tradição local, de raras vezes eleger mulheres, Maria Helena passa a fazer parte da história da comunidade. Ela é também a primeira negra a chegar ao Legislativo no município de 15 mil habitantes. Para o atual presidente da Câmara, Roberto Carlos Iopp (PT), a ascensão da faxineira demonstra a maturidade política de Espumoso.
– Ela é um exemplo para todos nós. Não se elegeu por ter dinheiro, poder ou qualquer outra coisa. Chegou até lá pela pessoa que é e pelo trabalho relevante que tem em nossa comunidade – diz Iopp, que se elegeu vice-prefeito.
O trabalho comunitário de Maria Helena é uma de suas marcas. Religiosa, participa ativamente da programação da Igreja Católica. Também canta nas missas e participa da orientação em grupos de jovens. Casada, completou apenas o Ensino Fundamental. É mãe de dois filhos – Jonatan, 16 anos, e Jenifer, 13. A renda familiar será vitaminada. Em vez do R$ 700 mensais que ganha como faxineira, passará a receber os R$ 1.903 pagos na próxima legislatura aos vereadores.
– Eu assisto a todas sessões. Sirvo o café para eles e entro a todo momento para atendê-los. Claro que acabava prestando atenção. Por isso, sei de todas as formalidades da função. Agora, só falta escolher uma cadeira para mim – brinca Maria Helena.
Na intimidade, a vereadora eleita confessa que entre uma faxina e outra chegava a discursar no plenário, de brincadeira. Mas o interesse pela política veio só no início do ano, com o convite do PDT. A campanha foi diferente. Aproveitando o gosto por cantar, ela abria os discursos entre graves e agudos.
As bandeiras políticas de Maria Helena incluem ambiente e um ponto um tanto genérico: melhorar as condições de vida da população. Questionada por um dos futuros colegas se os famosos cafezinhos deixariam de ser servidos, a resposta foi rápida:
– Não é porque serei vereadora que vou mudar – sorriu a ex-faxineira.